Brasil despenca no ranking da corrupção e Messias Donato acusa governo Lula de conivência com escândalos
- joserobertoimprens2
- há 12 horas
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O Brasil voltou a figurar entre os piores colocados no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da Transparência Internacional. Segundo relatório divulgado na última terça-feira (10), o país ocupa a 107ª posição entre 182 nações avaliadas, com apenas 35 pontos numa escala que vai de 0 a 100 — quanto menor a nota, maior a percepção de corrupção. Trata-se da segunda pior pontuação da série histórica brasileira.
O resultado provocou reação imediata no Congresso Nacional. O deputado federal Messias Donato (Republicanos-ES) responsabilizou diretamente o governo Lula pelo desempenho negativo e afirmou que o país vive um processo de retrocesso institucional.
“Esse ranking mostra que o discurso do combate à corrupção virou apenas propaganda. O Brasil está afundando em escândalos, enquanto o governo Lula fecha os olhos para irregularidades e protege seus aliados”, declarou o parlamentar.
De acordo com a Transparência Internacional, a variação de um ponto em relação a 2024 (quando o Brasil teve 34 pontos) não é estatisticamente significativa e mantém o país abaixo da média global e das Américas, ambas em 42 pontos. Na comparação internacional, o Brasil aparece ao lado do Sri Lanka e atrás de países como Argentina, Belize e Ucrânia.
Entre os mais bem avaliados estão Dinamarca (89), Finlândia (88) e Cingapura (84). Nas últimas posições figuram Somália e Sudão do Sul, com apenas 9 pontos.
O relatório aponta que o desempenho brasileiro reflete “um cenário marcado por sucessivos casos de macrocorrupção e por fragilidades institucionais persistentes”. Para o diretor executivo da entidade no Brasil, Bruno Brandão, o país voltou a chocar a comunidade internacional com escândalos em larga escala e episódios de impunidade.
Paralelamente ao IPC, a Transparência Internacional divulgou a “Retrospectiva 2025”, que alerta para o avanço do crime organizado sobre estruturas do Estado, especialmente por meio da corrupção no sistema financeiro e na advocacia. O documento cita investigações envolvendo desvios de emendas parlamentares, fraudes no INSS e a maior fraude bancária já registrada no país, relacionada ao Banco Master.
Para Messias Donato, o caso simboliza o fracasso do governo federal em enfrentar a corrupção de forma séria.
“O escândalo do Banco Master é um retrato da leniência institucional. O governo Lula reage tarde, de forma política e seletiva, enquanto o país perde credibilidade internacional”, afirmou.
A Transparência Internacional também criticou a postura do governo Lula diante de alguns escândalos, classificando a resposta como tardia e politicamente controversa. Apesar de reconhecer avanços pontuais no uso de inteligência financeira contra a lavagem de dinheiro, a entidade defende a retomada urgente de uma agenda robusta de combate à corrupção.
Entre as recomendações ao Congresso Nacional estão a instalação da CPMI do Banco Master e pedidos formais de esclarecimento ao STF e ao Banco Central sobre o sigilo do inquérito e possíveis conflitos de interesse. Ao Judiciário, o relatório sugere a criação de um Código de Conduta para ministros do Supremo e o cumprimento efetivo do teto constitucional de salários.
O parlamentar capixaba reforçou a necessidade de investigação independente:
“O Brasil precisa parar de varrer a sujeira para debaixo do tapete. Quem tem compromisso com o país não pode aceitar que escândalos bilionários sejam tratados com silêncio e acordos de bastidores.”
Em nota, a Controladoria-Geral da União (CGU) afirmou que o aumento de investigações e transparência não significa mais corrupção, mas maior capacidade do Estado de enfrentá-la. A explicação, porém, não convenceu parlamentares da oposição, que veem no ranking um sinal claro de deterioração da confiança internacional no atual governo.
Para Messias Donato, o recado é direto:
“O mundo está dizendo que o Brasil voltou a ser visto como um país tolerante com a corrupção. Isso é responsabilidade política do governo Lula.”



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